A VOLTA DO DOLCE ABITARE


Nesses últimos 12 meses bastante coisa aconteceu. A reforma da “A Casa Mia“foi finalizada, nos mudamos finalmente para ela e adotamos um filhote de golden para nos acompanhar nessa nova fase da nossas vidas.

Como todo mundo sabe, obras são sempre cheias de surpresas inesperadas e quase sempre acaba fugindo das nossas aspirações iniciais. Falo isso como arquiteta que trabalha com obra a quase 10 anos… Se gerenciar reforma de outras pessoas já é bastante árduo e desgastante, com certeza absoluta dá um milhão de vezes mais trabalho quando a obra é nossa.

Muitos perrengues foram superados, tivemos um sério problema com o empreiteiro que estava fazendo a obra – fica a dica tá! Eu como arquiteta prego isso a todos os meus clientes e amigos, mas como “Casa de ferreiro, espeto é de pau”, agente só aprende vivendo – Mesmo que você tenha um empreiteiro de extrema confiança, para uma obra de grande porte como foi a minha, sempre que puder optar por uma construtora ou empresa de engenharia que te faz um contrato com prazos, gastos e serviços muito bem definidos, OPTE PELA CONSTRUTORA!! Foi a decisão que acabamos tomando. Um empreiteiro pode ser mais barato, mas as dores de cabeça e a falta que faz ter um engenheiro que responda pela sua obra faz toda a diferença. Quase sempre a economia não se justifica.

Hoje, mais de um ano depois vou postar aos poucos como ficou o resultado do nosso sonho bastante turbulento… Além de continuar compartilhando ideias, referências e inspirações para o seu Dolce Abitare!

FORRO DE GESSO


Na semana passada concluímos a instalação do forro de gesso. Por se tratar de uma construção antiga, a casa já está bem “acomodada” no terreno e não ocorre muita movimentação, com isso optamos por utilizar plaquinhas de gesso ao invés de drywall, elas são mais suscetíveis a trincas mas têm um custo menor. Para seguir com a re-leitura do art deco, utilizamos uma moldura em L com um pequeno detalhe. Na próxima etapa, será aplicada massa corrida e primeira demão de tinta em todo o forro seguido pela furação para iluminação. Veja detalhes do trabalho realizado:


Apesar de simples, não encontramos a moldura que queríamos, ela precisou ser personalizada 


A moldura serviu como apoio para o forro, que ficou solto nas laterais, tendo espaço para dilatação


Trabalhando com um rebaixo mínimo de 15cm, conseguimos manter um pé direito bom, com altura de 2,80m

 

HIDRÁULICA BANHEIRO


Após a remoção de pisos, revestimentos, louças e metáis, e a reestruturação elétrica, foi confeccionada a nova hidráulica para o banheiro, que irá receber aquecimento central e banheira de imersão. Veja as etapas realizadas:


O projeto de reforma do banheiro visa trazer de volta as características originais da casa junto com a modernização das instalações 


Na primeira etapa, foi removida a tubulação antiga (de ferro) e o entulho que preenchia a laje rebaixada, por onde passa o encanamento



O ramal principal (de 100mm) foi posicionado do vaso até a coluna e interligado a caixa sifonada (que recebe o ralo e a saída de água da banheira) e a tubulação da pia



Para a tubulação de água quente, foram utilizados os tubos e conexões Aquatherm da Tigre, que possuem um custo mais baixo e instalação mais simples que os de cobre, são colados da mesma forma que os de pvc para água fria


Um novo contra-piso foi feito


Para controlar o fluxo de água entre a bica da banheira e o chuveiro, foi instalado o Misturador Monocomando com Desviador da Deca, modelo Smart (no detalhe)


Foi construída a alvenaria para apoiar a banheira de imersão Celite Europa em aço esmaltado (no detalhe)

TRIÂNGULO EMBUTIDO

Mais um desafio iniciado antes das obras: O restauro do armário embutido da cozinha! Ele ocupa uma “sobra” da planta da casa, entre o hall, a cozinha e o living, formando uma espécie de prisma triangular. O interior ainda preserva revestimento e pisos originais, e as prateleiras são de granilite. Nessa primeira etapa retiramos as portas e dobradiças, e removemos as muitas camadas de tinta acumuladas durante décadas, que escondiam os detalhes das portas. Em seguida, após a parte pesada da obra, iremos limpar o interior e pintar novamente as portas. Veja mais detalhes do restauro:

O armário embutido é um triângulo entre hall, cozinha e living

Portas e dobradiças foram removidas


Com o auxílio do gel removedor Striptizi as diversas camadas de tinta foram extraídas

Para finalizar esta etapa, utilizamos uma lixadeira orbital para eliminar as sobras de tinta

PROJETO E EXECUÇÃO

Foi relativamente fácil chegar a concepção do projeto, já tínhamos mais ou menos tudo na cabeça de como queríamos nossa casa. Aí veio nossa primeira grande questão: quem iria fazer essa reforma? Por trabalhar no ramo, conheço muitos empreiteiros e construtoras aptos a executar esse trabalho, mas quando se trata de nossa própria casa a coisa se torna um pouco mais complicada de resolver. Novamente temos a questão valor juntamente com a qualidade do serviço e prazos. Fizemos muitos orçamentos e comparativos de vantagens e desvantagens. Importante lembrar que quando orçamos uma obra, o ideal é ter especificado todos os serviços no orçamento para que o comparativo seja real, e prestar a atenção ao fato de que alguns empreiteiros incluem no valor o material básico e outros não. Acabamos por escolher o que nos pareceu mais honesto e de acordo com os nossos padrões.

Antes mesmo de começarmos a obra enfrentamos uma outra questão: por se tratar de uma casa, tivemos que dar entrada no alvará de reforma prefeitura (que sinceramente é bem chato e muito complicado), incrível como é burocrático para que alguém possa tirar vantagem da situação. Sou formada a quase 4 anos e trabalho com arquitetura desde a faculdade, sempre que precisei desse serviço, contratei um prestador tercerizado, na faculdade não temos aulas ou informações de como ocorre esse processo… Como se trata de minha casa achei justo que eu a fizesse por inteiro e procurei por manuais ou tutoriais de como fazê-lo. Há pouco tempo o sistema mudou e hoje tudo é feito pela internet, o site da prefeitura de São Paulo dispõe de um tutorial para aprovação de projetos nesse link: Aprov – Guia para aprovação de projetos. Mas, para preencher os formulários as informações sempre são ambíguas e inconsistentes. Deixo aqui meu manifesto e minha revolta com nosso sistema, nem o CAU (conselho de arquitetura e urbanismo) que somos obrigados a ter o registro e pagar anualmente para podermos exercer nossa profissão de arquiteto não nos auxilia em nada. Conclusão: novamente tive que contratar um serviço tercerizado, mas dessa vez para tentar entender e aprender o processo.
Empreiteiro contratado e placa de obra fixada!! É hora de começar os trabalhos… No próximo post vou mostrar a etapa de demolição e remoção de entulho…